Overview

A insuficiência venosa crónica dos membros inferiores decorre da incapacidade do sistema venoso profundo e ou superficial manter o equilíbrio entre o fluxo de sangue arterial que chega aos membros inferiores e o retorno de sangue venoso ao coração.

Esta incapacidade condiciona o desenvolvimento de hipertensão venosa que pode levar ao aparecimento de varizes (dilatação das veias) que são uma das consequências mais graves e tardias da insuficiência venosa crónica.

Noutros casos, os doentes podem apresentar apenas minúsculas ramificações, de coloração avermelhada que, apesar de assintomáticas, provocam incómodo estético.

Na grande maioria, os doentes queixam-se essencialmente do problema estético dado que na posição de pé, as veias ficam mais dilatadas e muito visíveis.

Prevalência

Cerca de 10 a 20% da população dos países industrializados possui algum tipo de insuficiência venosa crónica, sobretudo a população feminina.

Sinais e sintomas

O primeiro sinal indicador de uma insuficiência venosa são as chamadas “veias de aviso”, um círculo de veias dilatadas na zona do tornozelo. Seguem-se as pernas cansadas, comichão, formigueiro e cãibras noturnas na barriga da perna. Uma coloração acastanhada da pele e o aparecimento de manchas vermelhas e pequenas manchas brancas na pele são sinais de uma doença venosa já avançada.
Os sintomas localizados incluem dor, ardor e prurido, enquanto  que os sintomas generalizados incluem dores nas pernas, sensação de pernas cansadas ou inchaço. Os sintomas tendem a piorar ao longo do dia, especialmente se o doente esteve durante várias horas de pé, e frequentemente desaparecem quando o doente eleva a posição das suas pernas.
Alterações da pigmentação da pele, eczema, infeção, tromboflebite superficial, úlcera venosa, perda de tecido subcutâneo (lipodermatosclerose), são algumas das complicações possíveis das varizes. Apesar de raros, foram notificados casos de hemorragias resultantes de perfuração de uma veia varicosa.

Logo que surjam os primeiros sinais de uma insuficiência venosa, consulte um médico febologista, angiologista, cirurgião vascular ou o seu médico de família. Numa fase inicial, poderá começar a tomar medidas eficazes contra a evolução da doença.

Tratamento

É fundamental que sejam instituídas as medidas necessárias para evitar que os primeiros sinais de insuficiência venosa crónica se mantenham e progridam para condições mais graves como as varizes. Assim, o objetivo principal do tratamento é aliviar os sintomas, melhorar o aspeto e prevenir as complicações.

O tratamento convencional inclui algumas medidas e comportamentos gerais que podem ser adotados para ajudar a minimizar os sintomas, tais como, atividade física moderada, compressão externa (meias de compressão), massagens e jatos de água fria no sentido ascendente (dos tornozelos até às ancas) para ativar a circulação sanguínea, redução do edema periférico e excesso de peso, uso de vestuário confortável, repouso com as pernas ligeiramente elevadas, evitar ambientes excessivamente quentes, modificação dos fatores de risco cardiovasculares e tratamento farmacológico.

Adicionalmente estão ainda disponíveis opções mais invasivas que incluem o tratamento a laser, escleroterapia (com injeção de substâncias nas veias superficiais) e cirurgia, apesar de muitos doentes optarem por não ser submetidos a estes tipos de tratamentos.

Apesar da existência de diversos tipos de tratamentos, as medidas preventivas devem ser prioritárias.