Overview

As doenças inflamatórias intestinais são um grupo de distúrbios crónicos que envolvem os intestinos delgado e grosso, e são representadas sobretudo pela colite ulcerosa e pela doença de Crohn.

A doença de Crohn carateriza-se por uma inflamação crónica que, ao contrário da colite ulcerosa que afeta sobretudo a camada superficial do intestino grosso, se estende por todas as camadas da parede intestinal. Envolve predominantemente a parte distal do intestino delgado (íleo), mas também pode envolver o cólon.

Os fatores genéticos determinam a suscetibilidade à doença, que é agravada pela tensão emocional, maus hábitos alimentares, tabaco e estilo de vida. Pensa-se que a interação de antigénios, bactérias ou vírus, com o sistema imunológico, responsável pela defesa do organismo, pode causar o aparecimento e manutenção da lesão intestinal.

Prevalência

A doença de Crohn afeta igualmente ambos os sexos. É mais comum em indivíduos de raça branca, e pode ocorrer em todas as faixas etárias. No entanto, surge tendencialmente entre os 15 e os 35 anos de idade.

Estima-se que, em Portugal, uma em cada 100 mil pessoas sofra desta doença.

Sinais e sintomas

Os principais sintomas da doença de Crohn são febre, dor ou cólica abdominal, geralmente sentida à volta do umbigo ou do lado direito, frequentemente depois das refeições.

A diarreia é outra manifestação clínica da doença, podendo as dejeções conter sangue.

Outros sinais e sintomas incluem fadiga generalizada, anorexia e perda de peso. Pode haver anemia causada pela perda de sangue oculto, pelo efeito da inflamação sobre a medula óssea ou pela má absorção de folato e vitamina B12. Podem ainda ocorrer outras manifestações não relacionadas com o aparelho digestivo como artrite, conjuntivite e lesões na pele.

Uma complicação grave é a obstrução intestinal que ocorre quando o intestino fica tão estreitado que o conteúdo intestinal não consegue passar. Esta situação causa vómitos ou dores abdominais intensas e requer tratamento de emergência.

Tratamento

À semelhança da colite ulcerosa, alguns doentes devem evitar o leite uma vez que não conseguem digerir corretamente o açúcar presente no leite (lactose) devido à ausência de uma enzima (lactase). Na fase aguda, para o controlo da diarreia e da dor abdominal, deve ser feita uma dieta com pouca fibra.

Nos doentes com estreitamento no intestino pode ser necessária uma dieta com poucos resíduos ou mesmo líquida. Nos doentes com má absorção pode ser necessário administrar vitaminas e sais minerais.

O seu médico indicar-lhe-á a terapêutica mais indicada conforme a gravidade da doença.